Você é mais artista ou engenheiro no culto público?

Dividir as pessoas em categorias bem definidas sempre envolve certo risco. Ninguém é apenas introvertido ou apenas extrovertido. Somos todos complexos, inconsistentes e estamos em constante crescimento. Mas, às vezes, essas divisões binárias nos ajudam a perceber padrões que, de outra forma, poderiam passar despercebidos.
Aqui está um exemplo que considero útil quando falamos sobre adoração e culto público: a igreja está cheia de artistas e engenheiros.
O artista se apoia no sentimento, na intuição e na expressão criativa.
O engenheiro se apoia na lógica, na estrutura e na clareza.
Quase ninguém é cem por cento uma coisa ou outra, mas a maioria de nós tende mais para um dos lados. Você provavelmente já sabe para qual lado tende. E, se não sabe, basta perguntar ao seu cônjuge.
Essas inclinações aparecem em todas as áreas da vida, inclusive no domingo de manhã, durante o culto congregacional. O cristão com perfil mais “engenheiro” costuma enxergar o sermão como o momento principal do culto. Ele até tolera o canto congregacional, mas é o sermão rico em doutrina, cheio de referências cruzadas e pontos bem organizados que realmente o alimenta espiritualmente. Enquanto isso, o artista pode se sentir mais vivo durante o momento de louvor e, em silêncio, desejar que o sermão fosse reduzido a quinze minutos para poder voltar a cantar.
Aqui está a questão: Deus criou tanto o artista quanto o engenheiro. Mas ambos precisam ser discipulados. Nossos instintos — sejam voltados para a paixão ou para a precisão — precisam ser moldados pelas Escrituras.
Quando preguei em Êxodo 15 — o Cântico de Moisés — vi algo que não consegui mais deixar de perceber: um padrão divino para a adoração que fala tanto ao artista quanto ao engenheiro. O cântico une beleza e verdade de uma maneira que desafia todos nós a repensarmos como nos aproximamos do culto público. Mais do que isso, encontrei o Deus tanto do artista quanto do engenheiro, que não apenas escreve uma história grandiosa, mas também compõe a trilha sonora dela.
Antes de entrarmos nos detalhes do Cântico de Moisés, precisamos falar sobre algo ainda mais fundamental.
Por que o povo de Deus canta na adoração?
É uma pergunta justa. Por que cantamos no culto cristão? Por que não apenas lemos a Bíblia, oramos e ouvimos a pregação? Por que o canto sempre foi uma característica central da adoração cristã ao longo da história da igreja?
Porque foi ideia de Deus.
1. Cantamos porque Deus ordena
Do começo ao fim, a Bíblia chama o povo de Deus a cantar:
“Cantai-lhe, cantai-lhe salmos; narrai todas as suas maravilhas!” (Sl 105:2)
“Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais.” (Ef 5:18–19)
Cantar não é opcional no culto público. É obediência. Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14:15). Isso inclui o mandamento de cantar.
2. Cantamos porque Deus canta
“O Senhor, teu Deus, está no meio de ti… ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor; regozijar-se-á em ti com júbilo.” (Sf 3:17)
O próprio Deus canta. Isso significa que cantar não é apenas algo que fazemos para Deus, mas algo que fazemos com Deus. Ele é o Cantor original, e fomos criados à sua imagem. Quando elevamos nossa voz em adoração congregacional, refletimos algo belo e verdadeiro sobre o nosso Criador.
3. Cantamos porque somos humanos
Não somos máquinas. Somos almas encarnadas, com coração, mente e imaginação. Cantar é um dos raros atos no culto que envolve a pessoa inteira:
Ativa a mente ao ensinar a verdade por meio da melodia e da métrica.
Move o coração ao nos ajudar a sentir aquilo que confessamos no louvor.
Forma a memória — canções permanecem conosco de um modo que sermões geralmente não permanecem.
E desperta a imaginação, oferecendo vislumbres da glória que podemos provar antes mesmo de ver.
Deus projetou a música para nos ajudar a lembrar da verdade bíblica e ensaiá-la juntos na igreja. Por isso, quando seu povo atravessou o Mar Vermelho e chegou ao outro lado, eles não apenas disseram “obrigado” — eles cantaram.
“Cantarei ao Senhor, porque triunfou gloriosamente.” (Êx 15:1)
4. Cantamos porque o evangelho é digno de ser cantado
No fim das contas, cantamos porque fomos salvos.
Deus nos resgatou da escravidão — primeiro do Egito e, de forma definitiva, do pecado e da morte. A resposta apropriada a esse tipo de livramento não é apenas concordância intelectual, mas adoração. Cantar é a linguagem dos resgatados e redimidos. É o que transborda quando a alma diz: “Deus fez grandes coisas!”
Independentemente de qual lado você tende — artista ou engenheiro — quero convidá-lo a abrir o coração, a mente e a boca ao adorar o Deus que salva.

