Socorro! Eu não gosto da música da minha igreja
\Meu marido é pastor de uma igreja bíblica em uma região dominada por denominações históricas que frequentemente mantêm estilos tradicionais de culto enquanto se afastam do cristianismo histórico. Muitas vezes recebemos novos membros vindos dessas igrejas que, corretamente, embora às vezes com relutância, escolheram priorizar a fidelidade às Escrituras em vez de seus estilos musicais favoritos.
Muitos cristãos fiéis permanecem comprometidos com igrejas que amam, mesmo não gostando tanto da música. Eles se unem e permanecem porque a pregação é bíblica, a doutrina é saudável e a comunidade é centrada em Cristo. Mas, porque a música envolve nossos afetos, pode ser doloroso quando não amamos a música da nossa igreja.
Ainda assim, todos somos chamados a cantar e levantar a voz em adoração sincera, independentemente do estilo musical. Pressupondo que as letras sejam bíblicas, quando não gostamos imediatamente — ou constantemente — da música da nossa igreja, precisamos nos comprometer com participação, preparação e perseverança. Ao fazer isso, conseguimos ir além do estilo musical e compreender mais profundamente o coração da adoração.
Participação
Temos a tendência de nos afastar quando não gostamos de algo. Confesso que já fiquei de braços cruzados e expressão fechada porque não gostava da música de uma igreja. Olhando para trás, percebo que teria encontrado mais alegria se tivesse me lançado ao canto. Afinal, as Escrituras nos chamam a cantar juntos (Ef 5:19), então é melhor fazermos isso com entusiasmo. Quer nos consideremos líderes de louvor ou não, todos podemos modelar um canto humilde e alegre — seja no palco ou nos bancos da igreja.
Na minha experiência, músicos frequentemente são os que mais lutam com a adoração musical. Treinados para ouvir de forma crítica, eles podem ter dificuldade em abraçar estilos diferentes ou apreciar o serviço de voluntários em vez de performances profissionais. Porém, como ouvi alguém dizer recentemente: “Se você não consegue sair disso, mergulhe nisso.”
Músicos frequentemente são os que mais lutam com a adoração musical.
Se você é musicalmente talentoso, procure substituir o cinismo pelo serviço. Faça teste para o grupo de louvor ou participe do coral. Use seu ouvido apurado para ajudar a equipe de áudio. É muito mais difícil criticar os outros quando você está servindo ao lado deles — quando vê de perto a dedicação e o zelo que colocam em sua oferta musical. Também é muito mais fácil amar um ministério que você está ajudando diretamente.
Se servir musicalmente não é uma opção, seja criativo. Leve algo para ajudar os músicos durante os ensaios cedo pela manhã. Ore por seus líderes de louvor durante a semana. Coloque um lembrete para orar pelos líderes e voluntários durante os ensaios. Faça questão de encorajar seu líder de louvor, ouvindo atentamente com a intenção de oferecer elogios sinceros e específicos.
Preparação
Nossas músicas e estilos favoritos geralmente são aqueles com os quais estamos mais familiarizados. Se você não gosta da música da sua igreja, vale a pena considerar se essa resistência não é simplesmente desconforto com aquilo que é novo para você.
Como pianista e organista com formação clássica, decidi cedo que não gostava de música contemporânea de adoração. Mas, à medida que me familiarizei mais com músicas e estilos novos para mim, percebi que meu gosto não é imutável.
Familiarizar-se com novas músicas certamente será um processo longo se ouvirmos essas canções apenas aos domingos. Mas a era do streaming nos dá acesso imediato a uma enorme diversidade musical. Em vez de ouvir apenas nossas músicas favoritas, deveríamos aproveitar essa tecnologia para ouvir as músicas que nossa igreja canta regularmente.
Essa abordagem parece contraintuitiva. Fones de ouvido e playlists personalizadas nos condicionam a tratar música como uma questão de preferência individual. Contudo, as Escrituras deixam claro que a música foi dada para nos unir (Ef 5:19–21; Cl 3:16–17). Especialmente na igreja, música não é primariamente sobre consumo individual, mas sobre participação comunitária. Assim como músicos praticam peças de que nem gostam para se prepararem para ensaios e apresentações, nós também deveríamos ouvir as músicas da nossa igreja para nos prepararmos para o culto congregacional.
Perseverança
A maioria de nós possui a liberdade — e talvez até o peso — de escolher entre várias igrejas locais saudáveis. Mas precisamos exercer essa liberdade com sabedoria.
Se estamos considerando deixar uma igreja por causa da música, precisamos examinar nosso coração com sinceridade para descobrir se estamos buscando uma igreja onde possamos servir de maneira frutífera ou apenas um lugar onde possamos ouvir nossas músicas favoritas.
Se decidirmos sair após um período de oração e discernimento, precisamos tomar cuidado para “partir em paz e servir ao Senhor”, como diz a bênção litúrgica. Isso significa sair pacificamente — sem gerar divisão — e com o desejo de servir ao Senhor, e não apenas às nossas preferências.
Para músicos, a decisão de sair de uma igreja pode, em alguns casos, estar ligada ao desejo de servir. Por exemplo, uma organista talentosa pode considerar unir-se a uma congregação que utilize seus dons em vez de permanecer em uma igreja que usa apenas violões, assim como um baterista habilidoso pode encontrar melhor espaço em uma igreja mais contemporânea.
Nossas músicas e estilos favoritos geralmente são aqueles com os quais estamos mais familiarizados.
Na maioria das vezes, porém, vale a pena perseverar — a menos que exista uma razão bíblica para sair ou que o Senhor abra uma oportunidade clara de servi-lo em outro lugar.
No fim das contas, independentemente do estilo musical da nossa igreja, devemos orar por nosso próprio coração antes de entrar no culto a cada domingo. Devemos pedir regularmente que o Senhor nos ajude a seguir nossos líderes com humildade e disposição e, assim, sermos bênção para eles e para aqueles ao nosso redor.
Estejamos no palco ou não, podemos decidir apoiar a adoração da nossa igreja — não para mudar a música, mas para sermos transformados por meio de um canto sacrificial e sincero.


