Não faz muito tempo, um amigo me perguntou sobre um artigo que havia encontrado na internet, um daqueles textos que combinam notícias e análises, circulam pelas redes sociais e geram debates entre os usuários do Twitter. A ideia central era mais ou menos esta: existe uma disparidade entre homens e mulheres nos grupos de jovens batistas, compostos predominantemente por mulheres, enquanto a Igreja Ortodoxa Oriental estaria atraindo homens jovens cansados da natureza afeminada das músicas de adoração e do estilo de ensino evangélicos.
Análises como essa aparecem regularmente, muitas vezes sustentadas por algumas histórias pessoais e estatísticas reunidas às pressas. Esse tipo de afirmação me incomoda, não porque não exista alguma verdade nos relatos, mas porque a narrativa apresentada não encontra respaldo nas estatísticas. Além disso, suspeito que autores que desejam que determinada narrativa seja verdadeira acabam reunindo quaisquer dados que se encaixem nela, conferindo força a suas próprias causas ou implicâncias. A mensagem parece ser: “Vocês não estão vendo que as coisas estão caminhando nessa direção? Então, acompanhem essa tendência!”
Examinando as alegações
Vamos examinar essa narrativa popular. Existe uma disparidade entre homens e mulheres nos grupos de jovens batistas e entre os jovens ortodoxos orientais? É verdade que os grupos de jovens batistas são predominantemente femininos, enquanto o ministério estudantil de denominações mais litúrgicas é composto principalmente por jovens homens? O que seria necessário para comprovar essa afirmação?
Certamente, mais do que alguns exemplos de ministérios de jovens da sua cidade. Seria necessário pesquisar centenas de grupos de jovens espalhados pelo país, de diferentes denominações, para determinar sua composição por gênero. Alguns relatos isolados de uma ou outra igreja não são suficientes.
Quanto à segunda alegação — de que o estilo de adoração seria o responsável por essa diferença —, suponhamos que realmente exista uma disparidade nos grupos de jovens americanos, com os batistas atraindo mais mulheres jovens e os ortodoxos, mais homens. Como poderíamos determinar a causa dessa diferença?
Precisaríamos entrevistar e pesquisar homens jovens para descobrir por que deixaram o ministério de jovens de uma igreja batista e por que se uniram à Igreja Ortodoxa. Seriam necessárias pesquisas quantitativas e qualitativas que apontassem a música de adoração e o estilo de ensino como fatores determinantes dessa diferença entre homens e mulheres.
Não existe pesquisa desse tipo. Isso significa que a agitação nas redes sociais em torno da ideia de que homens jovens estão abandonando o evangelicalismo porque as músicas de adoração são emocionais demais ou afeminadas se baseia exclusivamente — ou principalmente — em algumas conversas isoladas. Ou, então, são os preconceitos e as predisposições do próprio autor ou comentarista que o conduzem a conclusões favoráveis à versão de igreja que ele prefere.
A Igreja Ortodoxa está crescendo entre os homens jovens?
No ano passado, examinei algumas das alegações sobre homens jovens que estariam migrando em massa para paróquias ortodoxas orientais. Os artigos sobre esse fenômeno apresentam muitos relatos pessoais e poucos dados estatísticos. Sim, algumas igrejas ortodoxas estão registrando um grande aumento percentual de homens jovens, e isso certamente é uma história interessante. Merece ser noticiada.
Mas esse fenômeno chama a atenção justamente porque a Ortodoxia representa uma parcela muito pequena do cristianismo nos Estados Unidos. O estado do Tennessee tem quatro vezes mais igrejas batistas do que o país inteiro tem igrejas ortodoxas. Aumentos percentuais podem parecer impressionantes quando a base inicial é pequena. Uma igreja que cresce de 40 para 80 membros pode comemorar um crescimento de 100% em um ano, mas esse aumento numérico é o mesmo de outra igreja da cidade que cresce apenas 10%, passando de 400 para 440 membros.
Para ser claro, não estou dizendo que não exista um interesse renovado por outras tradições cristãs. Esse interesse existe. No mundo do YouTube e do Instagram, diferentes tradições cristãs estão agora “acessíveis” de maneiras que não eram possíveis anteriormente. Ramos do cristianismo com os quais os jovens não estavam familiarizados passaram a ganhar visibilidade, à medida que a internet dá voz a tradições grandes e pequenas de todo o espectro cristão.
Portanto, pastores evangélicos e líderes de igrejas devem esperar encontrar jovens curiosos sobre outras tradições, especialmente a Ortodoxia Oriental e o catolicismo romano. Gavin Ortlund tem realizado um excelente trabalho nessa área, apresentando argumentos bíblicos e históricos em defesa do protestantismo. Frequentemente, ele examina minuciosamente acontecimentos históricos e afirmações doutrinárias ao responder aos principais argumentos favoráveis a outras tradições.
Não estou negando o interesse renovado por outras tradições cristãs. Estou apenas apontando como é fácil falar sobre esse interesse de uma maneira que constrói uma narrativa falsa: a de que multidões de jovens estão descobrindo e se convertendo repentinamente à Ortodoxia.
É fácil encontrar testemunhos de jovens evangélicos que se converteram ao catolicismo ou à Ortodoxia. E, quanto mais testemunhos encontramos, maior pode ser a impressão de que estamos diante de uma tendência de rápido crescimento. Entretanto, o movimento mais significativo em termos estatísticos é menos noticiado: o esvaziamento das igrejas católicas e a taxa muito mais elevada de católicos — especialmente na América Latina — que se convertem ao pentecostalismo. Esses convertidos não publicam seus testemunhos nas principais revistas cristãs, mas, numericamente, representam um movimento muito mais expressivo.
Os homens jovens estão rejeitando a adoração contemporânea?
Voltemos agora à afirmação de que os grupos de jovens batistas estão cheios de moças, enquanto os rapazes estão migrando para a Igreja Ortodoxa da cidade, supostamente por não gostarem das músicas de adoração evangélicas.
Não conheço nenhuma empresa de pesquisa que tenha acompanhado detalhadamente as taxas de participação nos ministérios estudantis — que podem diferir das proporções de gênero observadas em cada denominação — e os motivos pelos quais os jovens mudam de tradição religiosa. Isso significa que qualquer artigo ou publicação nas redes sociais baseado principalmente em relatos pessoais pode ser contestado com outros relatos pessoais.
Então, aqui estão os meus. Tenho a oportunidade de falar em igrejas de diferentes denominações e frequentemente participo de conferências nas quais interajo com pastores e líderes de igrejas. Nos grupos de jovens batistas que observei, não percebi nenhuma disparidade significativa entre homens e mulheres.
Mas, mesmo que essa disparidade existisse, incomoda-me ver uma condenação tão generalizada das músicas de adoração evangélicas, classificadas como “afeminadas” ou “emocionais”, como se fossem responsáveis por afastar os jovens homens da igreja. A narrativa costuma ser mais ou menos assim: estamos perdendo os jovens homens porque nossos cultos são expressivos e emocionais demais, com foco excessivo na intimidade com Deus — como se a relação com Jesus fosse a de um namorado. Tudo isso seria feminino demais, e por isso não surpreende que os homens se sintam atraídos pela formalidade e pela liturgia presentes nas músicas e orações.
Como mencionei anteriormente, não existem estatísticas ou pesquisas que comprovem ou refutem essa narrativa. Por isso, os artigos e as publicações recorrem a relatos pessoais, como: “Conversei com um jovem na Igreja Ortodoxa que acha o canto litúrgico melhor do que as músicas do Hillsong!”. Muitas vezes, esses textos são escritos por pessoas que já têm fortes objeções aos cultos de adoração que desprezam.
A expressividade é feminina?
Quero aprofundar dois aspectos dessa crítica. O primeiro é a ideia de que a expressividade na adoração — demonstrar emoções de alguma forma — seria associada ao feminino, e não ao masculino. Como se demonstrar sentimentos fosse, de alguma maneira, uma ameaça à masculinidade.
Não estou defendendo que o modelo de culto evangélico ou de encontro de jovens mais comum atualmente seja a expressão máxima da adoração cristã. Existem diferentes formas e expressões de adoração, com variações culturais e regionais. Pessoas com diferentes tipos de personalidade se identificam com determinados estilos ou músicas. Isso é esperado. Eu aprecio tanto a exuberância da adoração contemporânea quanto a profundidade dos cultos litúrgicos.
Meu argumento é que a expressividade não é masculina nem feminina. São os homens que recebem a ordem de levantar mãos santas em oração (1Tm 2:8). Foi o rei Davi quem dançou com todas as suas forças diante da arca do Senhor (2Sm 6). Ninguém vai me convencer de que um jovem cantando a plenos pulmões seu amor pelo Cristo ressurreto em um culto evangélico é afeminado, enquanto outro jovem, com uma barba desgrenhada, beijando ícones durante um culto ortodoxo, é másculo.
A adoração moderna se resume a músicas do tipo “Jesus é meu namorado”?
O segundo aspecto que merece contestação é a reclamação de que a maioria das músicas de adoração contemporâneas se enquadra na categoria “Jesus é meu namorado”: expressões constrangedoras de intimidade com Cristo.
Há muito que criticar na adoração contemporânea: o foco excessivo no que fazemos durante o culto, em vez de naquilo que Deus fez; a negligência de doutrinas cristãs essenciais; e o deslizamento em direção a uma experiência voltada ao entretenimento, acompanhada pela perda da transcendência de Deus. Além disso, cresci nos anos 1990. Lembro-me de vários sucessos da música cristã contemporânea daquela época que poderiam facilmente ter sido canções românticas comuns, bastando mudar uma palavra aqui ou ali. Alguns artistas buscavam alcançar também o mercado secular.
Mas esse não é o cenário atual. Critique à vontade as músicas de adoração contemporâneas: a teologia das igrejas de onde elas vêm, a falta de diversidade global ou a ausência frequente de verdades históricas nas letras. Ainda assim, houve um avanço positivo em direção a uma ênfase maior na cruz e na ressurreição de Jesus. As músicas excessivamente melosas do tipo “Jesus é meu namorado” pertencem, em grande parte, ao passado.
“Mas, Trevin”, você poderia dizer, “ainda existem muitas músicas que se dirigem a Jesus de maneiras desconfortavelmente íntimas, pessoais demais ou individualistas! Algumas parecem estar a apenas um passo de uma canção romântica. Mesmo quando fica claro que a música é sobre Jesus, isso é demais para os homens verdadeiramente másculos entre nós!”
Tudo bem. Que tipo de música você prefere? Algo que não inflame nosso coração nem expresse nossas afeições por Deus?
Charles Wesley era afeminado em 1740 quando cantava: “Jesus, amante da minha alma, deixa-me refugiar em teu peito”?
E quanto ao grande Isaac Watts, que escreveu o hino The Voice of My Beloved Sounds (“A voz do meu amado ressoa”)?
Agora, através do véu da carne, eu vejo; Com olhos de amor, ele olha para mim; Agora, no espelho cristalino do evangelho, Ele revela a beleza de seu rosto.
Temos também o teólogo — e defensor das Cruzadas! — Bernardo de Claraval (1090–1153):
Jesus! Só de pensar em ti, meu peito se enche de doçura; mas muito mais doce é contemplar teu rosto e descansar em tua presença.
Leia Jonathan Edwards sobre o “doce deleite” que sentia em Deus ao ler o Novo Testamento, desejando ser “envolvido por Deus no céu e, por assim dizer, absorvido nele”. Ore com Anselmo de Cantuária: “Faze com que tenhamos fome e sede de ti de todo o coração e que te desejemos com todo o nosso anseio”; e também: “Que eu te busque em meu desejo, que eu te deseje em minha busca. Que eu te encontre amando-te e que te ame ao encontrar-te”.
E quem poderia esquecer Agostinho, cujas Confissões contêm uma “canção de amor ao Salvador” que, na tradução de Sarah Ruden, nos surpreende por sua intensidade emocional?
Tarde te amei, beleza tão antiga e tão nova. Tarde te amei! [...] Tu chamaste, gritaste e rompeste minha surdez. Brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Teu perfume era doce; eu o respirei e agora suspiro por ti. Provei-te e agora tenho fome e sede; tocaste-me e fui tomado por um fogo de desejo pela tua paz.
Critique os compositores e líderes de louvor de hoje por serem expressivos demais ou superficiais, se quiser. Mas tome cuidado para não subir a um pedestal de onde possa olhar com desprezo para todos esses homens do passado — sem falar do rei Davi, o poeta guerreiro que ansiava pelo Deus vivo (Sl 63) e declarou que seu maior desejo era contemplar “a beleza do Senhor” (Sl 27:4).
Se a escolha for entre o constrangimento sofisticado de Mical diante da exuberância da adoração (2Sm 6:16) e o abandono espontâneo de Davi — independentemente de como essa expressão seja classificada em termos de masculinidade ou feminilidade —, escolherei Davi todas as vezes.
Uma exortação final
Meu primeiro apelo é que pensemos com mais cuidado sobre os artigos e as publicações que aparecem nas redes sociais descrevendo conversões ou crescimento de igrejas. Esses relatos podem ser verdadeiros, mas geralmente não indicam uma tendência real. Tampouco comprovam ou refutam nossas preferências em relação à adoração.
Em segundo lugar, evite críticas generalizadas aos estilos e às músicas de adoração contemporâneas. Faça boas perguntas e seja específico ao apresentar críticas quando necessário. Mas não amplie tanto suas objeções a ponto de se isolar do cristianismo ao longo dos séculos e tornar mais difícil encontrar-se com o Senhor por meio do canto.


